“Effatha”| A cura da mudez e surdez espiritual

 Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu, e disse ‘Effatha’ que quer dizer: ‘Abre-te’.” (Mc 7,34)

ABRE-TE

Hoje nos encontramos na frente de uma pessoa surda e muda. Jesus grita uma palavra: “Effatha”, e tudo se transforma, começa a falar livremente e a escutar. A pessoa está muda porque não escuta. Ela não pode se expressar porque nunca escutou uma palavra.

A palavra parece a coisa mais fácil, mas todos os enganos, mentiras, falsidades e as lutas nascem da palavra. Todo o amor, doação, serviço, brotam de uma palavra de amor. É o valor da palavra!

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A palavra distingue a pessoa humana de um animal. Tudo nasce de uma palavra e a palavra cria tudo. Pensemos na escolha dos pais que dão o nome ao filho: com o nome ele adquire uma identidade.

A palavra também é comunicação do saber do homem. Toda a ciência, filosofia e novas experiências são comunicadas por meio da Palavra.

Palavra de Deus e palavra humana

Enfim, a palavra faz do homem uma pessoa livre ou escrava. Veja, por exemplo, como muitas vezes a mídia é usada para manipular o outro.

A palavra me permite viver em comunhão com Deus e com os outros. O mesmo Deus se comunica com o homem através da Palavra. Podemos dizer também que, por meio da palavra, uma pessoa se comunica com os outros e com as coisas.

No texto bíblico que estamos meditando, Jesus está caminhando entre os confins da Decápole, um lugar pagão. Hoje, Ele nos encontra na nossa incredulidade, na nossa mente obcecada e vazia.

Somos cheios de ideias e conceitos, que nos fazem surdos e mudos na frente da vida cotidiana. Algumas pessoas conduzem a Jesus uma pessoa surda. É bom lembrar que a tradução da palavra grega do Evangelho, nos diz que este homem fala, mas ninguém entende nada: seu problema é um problema de comunicação.

Comunicar do vazio existencial

Parece esquisito! Na nossa vida muitas vezes a realidade é esta. O nosso falar se torna vazio, sem sentido, sem valor e cansativo para quem escuta, assim como para nós que falamos. Esta pessoa é surda. O surdo também não consegue falar.

A palavra é tudo, mas para ele, que nunca escutou, não há possibilidade de se relacionar com os outros.

Há alguns anos, acolhemos numa das nossas casas, um irmão que vivia há muitos anos na rua. Não falava, era sempre tenso, nervoso, fechado. Este mendigo havia se tornado surdo a qualquer gesto ou palavra.

Parecia surdo porque negava qualquer tipo de diálogo. Após meses, depois de muitos gestos e palavras de amor, improvisamente, disse uma palavra: “obrigado”. Tudo se abriu, o amor venceu! Ele nunca foi amado e nunca se amou, mas o Amor permitiu-lhe abrir-se para escutar e falar.

Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu, e disse ‘Effatha’ que quer dizer: ‘Abre-te’.” (Mc 7,34)

A surdez do coração

Este exemplo nos mostra que somos pessoas na medida em que nos relacionamos e quando nos sentimos amados. Jesus tomou este homem surdo e mudo num lugar a parte.

Esta pessoa precisava perceber que era amada pessoalmente, individualmente. É o amor de Jesus. Deus sabe que somos surdos porque não nos sentimos amados, por Ele, pessoalmente.

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Somos como Adão, que preferiu se afastar de Deus porque, devido ao seu pecado, olha para si mesmo. O seu orgulho não lhe permite mais escutar a voz de Deus e, por isso, se esconde. Este é também o nosso drama.

A pessoa, não se sentindo mais amada por Deus, que continua amando-a, se torna infeliz; não sabe mais escutar, se fecha no seu “eu”, não ama e não se sente amada.

Effatha, Abre-te!

Mas, continuemos nossa caminhada com Jesus e olhemos os gestos que Ele faz, ainda que nos pareçam extravagantes.

Primeiro, ele toca com o dedo as orelhas do surdo. Tentamos lembrar, neste momento, o famoso desenho de Michelangelo, da Capela Sistina, em que Deus com seu dedo dá a vida a Adão, ao homem.

Jesus toca as orelhas do surdo com o dedo. Ele cria novamente o homem e lhe permite escutar o seu Amor. Jesus gera uma nova vida em nós. Nós não podíamos mais escutar os passos de Deus que quer nos encontrar, pois éramos mortos para o Paraíso.

Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu, e disse ‘Effatha’ que quer dizer: ‘Abre-te’.” (Mc 7,34)

Esta é a experiência que fazemos quando somos surdos ao grito dos mais necessitados. Temos medo deles porque certamente pensamos que podem nos roubar aquilo que ganhamos através da mentira e da falsidade.

Sabemos somente matar e fazemos de tudo para eliminar quem não é igual a nós, quem não pensa segundo a nossa lógica de morte, a lógica do prevalecer sobre o outro, de ter somente vantagens egoístas.

Olhemos para mundo: é cercado de surdos que eliminam outros surdos. Somos cercados de mudos que não falam mais de paz, assim fazendo prevalecer a guerra. Jesus, ao contrário, nos indica um novo caminho.

Jesus comunica seu Amor

Antes de morrer, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, grita: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

A Palavra de Jesus, o ato de Amor dEle, quebra a nossa surdez e nos capacita a falar a nova língua do amor. Isto é tão verdadeiro que o centurião fala: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus” (Mc 15,39). Reconhece e reconhecemos que o dedo de Deus transforma a nossa pessoa e, finalmente, escutando o amor de Jesus, podemos nos tornar o que escutamos.

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Não nos esqueçamos que o homem se torna “a palavra que escuta”, pois ela nos faz pessoa e o homem vive daquela palavra que escolheu para vida.

Com a boca proclamar o louvor de Deus

O segundo gesto de Jesus: com a saliva toca a língua do surdo-mudo. A saliva é símbolo do Espírito Santo. Jesus toca a língua para, finalmente, o homem poder ser aquilo que eternamente é: a imagem e semelhança de Deus. São Paulo escreve que é o Espírito que nos permite de dizer “Abba-Pai”.

Quando não conseguimos mais escutar a verdade, nos tornamos escravos da falsidade e da mentira. Éramos incapazes de escutar a Palavra de amor do Pai.

O Espírito nos liberta das palavras maldosas, orgulhosas e mentirosas, para poder falar a única verdade: Ele é Amor, Ele é o Pai que nos ama. Tudo isso acontece porque Jesus pronuncia, gemendo, “Effatha”, “abre-te”.

Sim, é Ele que nos permite escutar a Palavra eterna de Amor e nos dá a possibilidade de louvar para sempre Aquele que nos criou.

É Jesus que, curando a nossa surdez e a nossa incapacidade de falar, nos permite escutar o que o Evangelho nos propõe para realizar uma nova vida, vida de Amor entre nós, e proclamar a todos as maravilhas que Deus faz a cada instante.

Pe. Antonello Cadeddu

Fundador da Aliança de Misericórdia

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