Anunciadores da Palavra – Palavra de Janeiro

Sob o pontificado de Anás e Caifás, a Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a região do Jordão, proclamando um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados.” (Lc 3,2-3)

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Jesus o Verbo de Deus

Lucas procura ser cuidadoso para fazer um relato de tudo aquilo que acontece ao tempo de Jesus. No trecho que estamos meditando (cf. Lc 3,1ss), ele dá claras indicações históricas: o nome do imperador, dos governadores, dos sumos sacerdotes, o lugar onde João Batista realiza seu ministério.

Tudo isso porque a Palavra é encarnada na história. Jesus, o Verbo de Deus, se faz presente num tempo determinado, num lugar específico. Jesus, a Palavra, vive na história da humanidade.

            Analisemos, então, os elementos que o evangelista coloca.

Uma mudança radical

João, tocado pelo Espírito Santo, prega um batismo de conversão. O termo grego que encontramos no Evangelho é “metanóia”, que significa “mudar o modo de pensar, de viver”.

Para poder transmitir a Palavra de Jesus, precisamos mudar radicalmente nosso modo de pensar e de viver. É errado e destruidor, para mim mesmo e para os outros, pensar que posso falar de Jesus se não mudo, a cada dia, o meu viver.

Devo entender que o meu ser é levado muito mais a seguir interesses pessoais e egoísticos.

A Palavra comunicada deve apoiar-se numa vida concreta, onde não permito que prevaleça uma vivência dupla. Por isso, devo também compreender que viver a metanóia também significa ir além da razão, para me abandonar completamente no Espírito, acreditando que é Ele que deve falar e que eu devo me colocar de lado.

Infelizmente, existem pregadores que fazem de tudo, em modo inconsciente e, às vezes, consciente, para se colocar ao centro de tudo, exaltando a própria imagem. É uma realidade terrível!

A voz que clama

Sob o pontificado de Anás e Caifás, a Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a região do Jordão, proclamando um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados.” (Lc 3,2-3)

Um segundo elemento que podemos ver em João é a atitude dele na frente daquilo que Deus lhe pode comunicar. Ele é uma voz que grita no deserto. Nós também devemos ser “voz da Palavra”. Deus precisa de pessoas que comuniquem a Sua Palavra. Mas para isso, eu devo desaparecer e deixar falar somente o Senhor.

Precisa de humildade e de ter a consciência de que Deus me dá a força, a clareza, pois eu sou somente um instrumento.

Olhemos, agora, para um terceiro elemento.

A liberdade no deserto

João vivia no deserto. A voz se preparou fora da confusão, dos interesses religiosos ou políticos. O deserto, na Bíblia, é o lugar onde se experimenta a liberdade e a superação de todos os ídolos, interesses pessoais, a descoberta de tudo aquilo que amarra a pessoa.

No deserto se descobrem os apegos mais baixos, mas também se chega, através das lutas interiores, ao encontro com Deus. No deserto se aprende o essencial, sem perder-se em tantas ações ou palavras inúteis.

No silêncio interior e exterior do deserto, Deus pode finalmente falar com poder.

Para nós, comunicadores do Verbo, nos é pedido de viver o deserto. Nossa comunicação deve nascer do silêncio interior. A Palavra deve jorrar como a fonte jorra da rocha.

Devemos beber somente a água pura e límpida que brota do interior da rocha, ou seja, do silêncio. Neste silêncio, alcançado com Deus na luta do dia a dia, aparecerá somente o Verbo, o Logos, Jesus.

Sob o pontificado de Anás e Caifás, a Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a região do Jordão, proclamando um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados.” (Lc 3,2-3)

A vida concreta

Colocamos ainda outro elemento, que escutamos no começo deste texto. O evangelista Lucas faz questão de escrever o tempo e o lugar onde João testemunha e age.

Ele vive no tempo do Imperador Tibério, de Herodes; escreve o lugar, as pessoas que se aproximam dele. A história da salvação acontece num tempo determinado e num lugar preciso.

João comunica com pessoas concretas, que escutam e perguntam o que devem fazer.

Foi maravilhosa uma experiência que vivi anos atrás. Estava pregando numa cidade do Brasil e Jesus, durante a oração, falou claro que a morte dos jovens por causa da droga acabaria se as pessoas realizassem uma vigília de Adoração Eucarística todos os meses.

As pessoas tomaram posse desta palavra e a profecia se realizou. É lindo poder ser canal de graça para permitir a Jesus de agir na história do nosso tempo.

Comunicamos, então, a Palavra, conscientes de que devemos ser aquela voz de Deus, como João. Que possamos enfim dizer as mesmas palavras do precursor: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).

Pe. Antonello Cadeddu

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