A Porta Velha | Palavra do Mês de Junho

“Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas. não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da lei, sem que tudo seja realizado”. (Mt 5,17-18)

Voltar ao princípio

No livro do Apocalipse, Jesus é apresentado como o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim; Aquele que era e que vem, o Deus Todo Poderoso (cf Ap 1,8). Assim, neste processo de crescimento espiritual, à luz desta profecia de Neemias, restaurar a “porta velha” da nossa vida espiritual e comunitária significa, primeiramente, olhar para Cristo, princípio e realizador da nossa fé.

Esta é a primeira e fundamental consciência daquele que crê:

Eu sou “filho da Promessa”, minha cidade tem fundamento estável, eu faço parte de uma história de salvação.

Seja a minha vida humana em quanto tal, seja a minha vida espiritual, elas não são frutos do “acaso”, nem do “caos”.

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Existem leis físicas e espirituais, existe um “projeto” de amor que tem a sua raiz n’Aquele que era, n’Aquele que vem” para dar pleno cumprimento à história: “o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos palparam do Verbo da vida” (1Jo 1,1).

O Verbo da vida, esta “Palavra” pela qual todas as coisas foram criadas, que Se fez carne e habitou entre nós, nos revelou a vida, o rosto amoroso do Pai que do nada nos chamou à existência; por nossa vez, precisamos comunicar para os homens esta mesma Palavra tornando-os assim participantes da mesma comunhão do Pai, do Filho, no Espírito Santo! (cf. Jo 1,1ss e 1Jo 1,1ss).

Compreender nossa fé

“Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas. não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da lei, sem que tudo seja realizado” (Mt 5,17-18).

Restaurar a “Porta velha” significa entender as razões da nossa fé, descobrir as raízes da nossa história, conhecer a história da salvação que encontra em Cristo o seu pleno cumprimento; significa descobrir a riqueza do nosso passado, o alicerce da nossa Igreja, a única instituída por Cristo e que permanece até hoje nos séculos; significa saborear a riqueza da nossa tradição e sucessão apostólica que se alicerça na Promessa de Cristo:

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela” (Mt 16,18); significa pôr-se em caminho, assim como nos convida o profeta Jeremias:

“Assim diz o Senhor: ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas” (Jr 6, 16).

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A Bíblia diz em Atos 2,42: “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”: estes são os caminhos antigos.

Conformar-se com Deus

Sugiro para nós, a reflexão de dois pontos que podem nos conduzir para uma vida nova:

1 – Fugir da tentação das modas e ideologias que se contrapõem ao Cristo e à Sua Palavra.

A “Porta velha” não significa que esta seja decadente ou obsoleta; significa que Deus não tem nenhuma novidade que esteja fora de Cristo, nada de “modernismo” que se contraponha à Palavra de Deus.

Em comunhão com os santos que nos precederam, precisamos da coragem de ir “contra a corrente”, contra as modas que o mundo oferece para massificar-nos no “politicamente correto”. Precisamos da ousadia que nos leva, ontem como hoje, ao testemunho de Cristo até o martírio, se for necessário.

Precisamos contrastar a “ditadura cultural” do “pensamento único”, como dizia o Papa Bento XVI, ou “neonazismo” da cultura de morte e da ideologia de gênero, como afirma o Papa Francisco.

Não podemos ter medo que nos chamem de “beatos”, “papistas”, “conservadores” … pelo contrário, temos orgulho de pertencer a Cristo e à Sua Igreja que, desde o princípio, é chamada a ser “sinal de contradição” e “pedra de tropeço” para o caminho do mal. Não esqueçamos que “a ousadia dos maus é devida à omissão dos bons”.

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Habituar-se ao bem

2- Viver a novidade de Cristo despojando-nos do “homem velho”.

Paradoxalmente precisamos entender que permanecendo firmes “na Palavra que recebemos desde o princípio”, seremos progressivamente despojados das coisas do velho homem, das suas manias, paixões, concupiscências, vícios, medos, traumas (cf. Cl 3,8-11).

Pela força da Sua Palavra e da Sua Promessa, que permanece fiel desde o princípio, experimentamos o poder do Senhor que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5). A história de salvação nos ensina o segredo desta novidade.

Não precisamos jogar fora o nosso passado, precisamos permitir que o Senhor transforme, pela Sua Misericórdia, as nossas feridas e os traumas em fontes de cura para os outros, em cicatrizes gloriosas, unindo-as às Suas, para a salvação do mundo.

“Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas. não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da lei, sem que tudo seja realizado” (Mt 5,17-18).

Perservarar com a força da Graça

Assim foi por São Camilo de Lellis, que por causa da vida desregrada, que conduziu até os 24 anos, se encontrou doente de sífilis, com uma úlcera incurável na perna. Por causa desta ferida e dos sofrimentos vividos como pecador antes, e como enfermo depois, sentiu o chamado a fundar a Ordem hospitalar dos “Camilianos”.

Desta forma transformou os hospitais em um “templo sagrado”, escrevendo nas portas “culto devido a Cristo, Deus e homem, doente nos pobres”.

Nosso Deus, que sempre permanece fiel, mesmo quando nós não permanecemos, deseja transformar também a tua e a minha história de pecado em “porta de salvação” para tantos!

Tenha coragem, vivamos juntos esta Palavra durante os dias deste mês para que nossa vida, tocada pela Misericórdia do Senhor, seja sinal de esperança para muitos.

Deus te abençoe!

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