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Briga de torcida

Polícia prende quase 30 membros de torcidas e encontra R$ 62 mil e armas

Ação prendeu corintianos e palmeirenses acusados de briga que matou um.Operação apreendeu computadores e documentos em 8 cidades em SP e MG.

A Polícia Civil de São Paulo prendeu 26 pessoas e apreendeu mais de R$ 62 mil em dinheiro, além de armas, durante a “Operação Cartão Vermelho”, deflagrada nesta sexta-feira (15) em oito cidades para combater torcedores corintianos e palmeirenses envolvidos em brigas e agressões no estado. Os detidos são membros de torcidas organizadas acusados de participar de confrontos entre os rivais, no dia 3 de abril, que deixou um pedestre baleado e morto na capital.

“A gota d´água para nós foi o homicídio que ocorreu dia 3 abril na Zona Leste. Hoje estamos vivendo caos social muito profundo no qual pessoas não se toleram e não se respeitam. Em razão disso foi desencadeado todo esse trabalho”, declarou a delegada Elisabete Sato, diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), durante coletiva na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), na capital.

Além do DHPP, outros órgãos da SSP, como Bombeiros, por exemplo, participaram da operação, que teve o acompanhamento do Ministério Público (MP) e a Secretaria da Fazenda.

O promotor Paulo Castilho, da Promotoria Especial Criminal (Jecrim), informou que já ofereceu denúncia à Justiça contra os torcedores presos. “Alguns vão responder por associação criminosa, lesão corporal e dano ao patrimônio”, disse. “Outros por lesão corporal, dano ao Metrô e porte de explosivo”.

A Justiça expediu 37 mandados de prisão e 32 mandados de busca e apreensão para serem cumpridos na capital, Ribeirão Pires, Taboão da Serra, Osasco, Santos, Praia Grande, Indaiatuba e Uberaba, em Minas Gerais.

Gaviões da Fiel e Pavilhão Nove, ambas organizadas do Corinthians, e Mancha Alviverde, do Palmeiras, foram os principais alvos da operação. As duas sedes das torcidas corintianas na capital não possuem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), segundo declarou o secretário da SSP, Alexandre de Moraes.

“O Corpo de Bombeiros constatou que elas não possuem o AVCB. Por esse motivo, a prefeitura deverá lacrar essas sedes”, disse Moraes. “As duas sedes da Mancha, tanto na capital quanto no litoral, tem o AVCB”.

O G1 não conseguiu localizar os responsáveis pela Gaviões, Pavilhão e Mancha para comentarem o assunto. A equipe de reportagem também não encontrou a assessoria da prefeitura para tratar do caso.

Até o início desta tarde, dezoito corintianos da Gaviões haviam sido presos preventivamente; um da Pavilhão e seis da Mancha foram detidos temporariamente. A prisão preventiva determina que o acusado fique detido até um eventual julgamento. A temporária pode deter uma pessoa por um tempo determinado, por exemplo, cinco dias ou mais.

Polícia Civil de São Paulo encontrou nesta sexta-feira (15) a quantia de R$ 62 mil em dinheiro e uma bolsa com facas na torcida Gaviões da Fiel na operação “Cartão Vermelho”, contra torcedores de futebol envolvidos em crimes e brigas. Ao todo 26 integrantes de torcidas organizadas foram presos. Os policiais apreenderam também celulares de integrantes de torcida do Palmeiras com mensagens em que admitem ter participado de confronto antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians, no último dia 3.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram 31 mandados de busca e apreensão nas sedes das torcidas. Gaviões da Fiel e Pavilhão Nove, ligadas ao Corinthians, e Mancha Alviverde, do Palmeiras, são algumas das organizadas alvos da operação.

A polícia também encontrou “caixões” com os nomes de Fernando Capez, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo; Andres Sanchez, ex-presidente do Corinthians; a Federação Paulista de Futebol e a Rede Globo.

Entre os detidos, há torcedores do Corinthians suspeitos de agredir uma família de palmeirenses na esquina da Avenida Doutor Arnaldo com a Rua Cardeal Arcoverde, perto do estádio do Pacamebu. Entre os presos está também o corintiano Helder Alves Martins, suspeito de participação na morte do boliviano Kevin Spada, em 2013. Na época, o corintiano tinha 17 anos. Os detidos na Grande São Paulo foram levados para o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital paulista.

A operação também foi realizada em outras cidades em Campinas, Ribeirão Pires, Santos, Praia grande, Indaiatuba, Osasco, Taboão da Serra e Uberaba-MG. Dois torcedores da Mancha Alviverde foram presos no litoral de São Paulo. Eles são suspeitos de participar do confronto que deixou um pedestre morto em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo.

A Mancha Alviverde também foi alvo da operação em São Paulo. Os policiais chegaram na sede da organizada por volta das 6h e lá dentro encontraram três torcedores. Um deles foi preso acusado de participar de atos de vandalismo na Estação Brás do Metrô, antes do clássico. Segundo a polícia, Cristian Araújo Benedito estava na confusão. Durante essa operação, o presidente da torcida, Nando Nigro, também foi preso. Segundo a polícia, ele tentou atrapalhar a ação policial.

Na sede da Gaviões da Fiel, os policiais apreenderam ainda documentos e computadores.

A pedido do secretário da SSP, Alexandre de Moraes, a Secretaria da Fazenda está auxiliando a operação com equipes de fiscalização contábil nas sedes das torcidas.

Confrontos

No total, foram registrados quatro confrontos entre torcedores e mais de 60 pessoas foram detidas no dia 3 de abril (leia mais sobre o caso abaixo).

Segundo a SSP, a vítima morta no dia 3 de abril chama-se José Sinval Batista de Carvalho, tinha 53 anos, e havia nascido na cidade de Paripiranga, na Bahia. O crime ocorreu no primeiro domingo de abril, quando cerca de 50 torcedores do Corinthians e do Palmeiras se encontraram em frente à estação São Miguel Paulista da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra.

Durante a confusão, houve um disparo de arma de fogo, que atingiu Carvalho no coração. A vítima não resistiu aos ferimentos. Segundo a polícia, o homem passava pela região e não fazia parte de nenhuma torcida.

Segundo informações de testemunhas, o homem estava indo para a igreja quando foi atingido. A vítima estava sem documentos. Ainda não foi identificado o responsável pelo disparo. Três suspeitos chegaram a ser detidos, mas depois foram liberados à época.

Foram apreendidas barras de ferro e pedaços de madeira. O caso foi registrado no 63º DP, da Vila Jacuí, mas é investigado pelo DHPP.

O secretário da SSP, Alexandre de Moraes, chegou a afirmar que 43 torcedores envolvidos naconfusão entre as torcidas já foram identificados. Em entrevista para a TV TEM durante visita a Cerquilho (SP) na quinta-feira (7), ele ressaltou que os torcedores serão encaminhados para a Federação Paulista para que sejam banidos dos estádios.

“Vamos também encaminhar para o Ministério Público e ao Poder Judiciário para medidas penais. Mas não basta somente identificar e punir. Nós vamos identificar aqueles que lideram esses 43”, disse. “A legislação penal no Brasil é fraca, pois o artigo específico do estatuto do torcedor é brando. Temos uma legislação fraca, mas podemos trabalhar com o que existe.”

2ª briga: perto do Pacaembu
Os detidos após a confusão do dia 3 de abril entre torcedores da Mancha Verde e da Gaviões da Fiel perto do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo, foram liberados após assinatura de termo circunstanciado. Naquele dia, três torcedores do Palmeiras foram espancados após o jogo entre o Palmeiras e o Corinthians, no estádio. Ao todo, 32 pessoas foram detidas, sendo 27 homens, 4 adolescentes e uma mulher. Eles foram encaminhados para o 91º DP, Ceasa.

Os times jogaram e o Palmeiras venceu por 1 a 0. As duas equipes entraram no estádio unidas e de mãos dadas em protesto contra a violência.

A briga aconteceu na Avenida Doutor Arnaldo, perto da Rua Cardeal Arcoverde, próximo do estádio do Pacaembu. De acordo com a PM, torcedores do Palmeiras caminhavam pela via quando foram abordados pelo grupo corinthiano, que estava em um caminhão com instrumentos musicais e bandeiras da organizada.

Entre os detidos, estavam Tadeu Macedo Andrade e Leandro Silva de Oliveira que foram presos na Bolívia após participação na morte do torcedor Kevin Espada, de 14 anos.

Três feridos foram levados ao pronto-socorro do Hospital das Clínicas. Duas vítimas foram liberadas e outra seguia internada. De acordo com a PM, ela estava em estado grave. Os nomes das vítimas e dos presos não foram informados.

 

3ª briga: em Guarulhos
Antes do jogo do dia 3 de abril, a Guarda Civil de Guarulhos, na Grande São Paulo, prendeu 25 torcedores do Corinthians e do Palmeirasdurante uma briga. Com os suspeitos foram apreendidos fogos de artifício e barras de ferro.

A confusão ocorreu na Rua Doutor Washington Luís, no bairro Jardim Santa Francisca. Torcedores também usavam fogos de artifício como arma.

Os suspeitos foram levados ao 1º Distrito Policial de Guarulhos. Dois deles tiveram de ser encaminhados para um hospital da região por causa de ferimentos. Eles estavam conscientes e foram internados por precaução. Todos foram liberados.

4ª briga: Estação Brás do Metrô

Torcedores da Mancha e da Gaviões também se encontraram na estação Brás do Metrô e entraram em confronto no dia 3 de abril.

Entre as estações de trem e do Metrô, os torcedores soltaram rojões (assista ao vídeo abaixo). A Polícia Militar (PM) foi acionada para dar apoio aos funcionários do Metrô e da CPTM. Policiais militares entraram na estação Brás para interromper o tumulto. Os torcedores fugiram.

O Metrô informou em nota, no dia 7 de abril, que o prejuízo com a briga entre torcedores do Palmeiras e Corinthians na estação Brás é de R$ 19 mil. Foram destruídos vidros, janelas e bancos de um trem, além dos estragos em material de reposição e de limpeza da estação.

O texto ainda informa do “prejuízo social”, pois a circulação dos trens ficou interrompida por mais de 50 minutos. O Metrô informou que deve acionar a Justiça após a identificação dos responsáveis.

Esse foi o primeiro encontro entre as torcidas após o presidente da Gaviões, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, conhecido como Diguinho, e o primeiro-secretário, Cristiano de Morais Souza, o Cris, serem agredidos pelas costas com barras de ferro no dia 2 de abril por pelo menos três pessoas. No dia 1º de abril, um suspeito foi preso. O detido é integrante da Mancha.

 

G1

 

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