Quarta-feira de Cinzas na Aliança de Misericórdia

A Quarta-feira de Cinzas marca, para a Igreja, a porta de entrada do tempo da Quaresma, um caminho de conversão, oração e retorno ao essencial. Na Aliança de Misericórdia, essa celebração é vivida com profundidade e esperança: não como um dia de tristeza, mas como um convite a uma meditação mais profunda, a um silêncio interior e a uma disponibilidade sincera para Deus agir.

Neste ano, comunidades e casas da Aliança celebraram a Missa de Cinzas em diferentes lugares, unidas pela mesma espiritualidade: reconhecer a fragilidade humana, acolher o chamado à conversão e iniciar um “treinamento de intimidade com o Senhor”, como foi lembrado na liturgia.

“Não é um dia de tristeza”: silêncio interior e abertura para a luz do céu

Na Missa de Cinzas celebrada no Ceará, o Pe. Rodrigo Elias destacou o sentido verdadeiro desse dia: “Hoje é um dia de meditação, de uma busca de um silêncio interior mais profundo… mas não é um dia de tristeza”. Ele recordou que, quando o sacerdote ou ministro impõe as cinzas, é preciso estar em disponibilidade interior, porque “uma luz do céu vai clarear todos nós”, preparando o coração para este tempo santo.

Essa visão ajuda a compreender a imposição das cinzas como um gesto de amor e misericórdia: Deus não aponta o dedo, Deus chama para perto. As cinzas nos lembram que somos frágeis, sim, mas também nos lembram que a graça de Deus pode recomeçar tudo.

Quaresma como caminho de vida nova

Na homilia do Pe. Evandro, presidente da obra, no Botuquara, a Quarta-feira de Cinzas foi anunciada como um tempo de graça especialmente para quem está passando por tribulações, provações e sofrimentos. Ele trouxe uma promessa espiritual forte: se o caminho quaresmal for vivido com fidelidade, Deus pode conceder “uma graça muito grande… uma vida nova, uma vida ressuscitada”.

Mas essa vida nova não nasce do conforto. Nasce da decisão de caminhar com Cristo no processo de purificação, um caminho que, às vezes, passa pela dor, pela renúncia e pela coragem de voltar para Deus com sinceridade.

Celebrações da missa de Cinzas em várias cidades e países

A comunhão da Aliança se expressa também na unidade da fé, mesmo em realidades diferentes. A Quarta-feira de Cinzas na Aliança de Misericórdia foi celebrada em diversos lugares:

  • Rio de Janeiro (Centro) – Celebração presidida pelo Pe. Lincon.

  • Piracicaba/SP – Para os filhos (acolhidos), a Missa foi presidida pelo Pe. Cláudio Furlan, do clero diocesano.

  • Bélgica – Celebração presidida pelo Pe. Antonello e concelebrada pelo Pe. Mário (scalabriniano).

Essas celebrações mostram uma Aliança que vive a Quaresma com o coração da Igreja: em missão, em unidade e com os olhos voltados para Jesus.

Jejum, oração e caridade: o “tripé” quaresmal vivido na prática

Um ponto central abordado foi o sentido do jejum unido à oração e à caridade. O jejum não é “dieta” nem performance religiosa: é um gesto espiritual que educa o coração e ajuda a ordenar desejos, fortalecendo a liberdade interior.

Na tradição da Igreja, a orientação para o jejum (para quem tem condições de saúde) é viver o dia com simplicidade: três refeições no dia, escolhendo uma refeição completa e duas refeições menores (de modo que as duas juntas não equivalham a uma inteira), além da abstinência de carne. Também foi recordado que, em todas as sextas-feiras do ano (exceto solenidades), a Igreja convida à abstinência de carne, e, quando não for possível, é recomendada a substituição por um ato de piedade ou de caridade.

E aqui está o coração da Quarta-feira de Cinzas na Aliança de Misericórdia: o jejum verdadeiro não termina em nós. Ele se transforma em amor concreto ao outro. Aquilo que se renuncia é escola de doação; aquilo que se oferece a Deus precisa virar misericórdia para os irmãos.

A celebração das cinzas, então, não fecha o coração, ela abre. Abre para Deus, abre para a conversão, abre para o pobre, abre para uma Quaresma vivida com seriedade e alegria. E assim a Aliança de Misericórdia inicia este tempo santo com a certeza de que, quando caminhamos com Cristo, até o deserto se torna estrada de ressurreição.

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