A porta da Atribuição ou do Vigia – Palavra do Mês de Fevereiro

Estejam vigilantes e rezem, para não caírem em tentação, porque o Espírito é forte, mas a carne é fraca(Mt 26,41)

A “Porta da Atribuição” ou “do Vigia”, é a penúltima porta da Cidade Santa que precisa ser restaurada. No sentido espiritual, o que esta porta simboliza?

1- A tarefa espiritual que nos é confiada individualmente, como ministério específico no “corpo de Cristo”, a nossa vocação pessoal;

2 – A necessidade de vigilância, para que nossa vida espiritual e a vida da nossa cidade (=comunidade), não seja novamente saqueada, destruída por satanás.

A nossa “atribuição” = “ministério”

São Paulo nos diz que a cada um foi confiado um ministério para a utilidade comum (1Cor 12,7). A conversão não é “cirurgia estética”, é compromisso de vida, pois o cristão vive para servir, como Jesus nos ensina: “Quem não vive para servir, não serve para viver”. Nossa existência é, na sua essência, “relação” de amor.

Uma das melhores definições do conceito de Igreja é aquela que nos apresentou o Papa Emérito Bento XVI: “comunidade de discípulos em missão”.

Reformar as portas da nossa cidade representa o nosso discipulado, nossa atitude constante de conversão e aprendizagem. Sempre precisamos de “restauração” e de “restaurar”. Esta é a nossa missão específica. Isto, porém, é impossível se cada um não descobre que o Senhor o escolheu desde a Eternidade (2Ts 2,13-14), e o chamou pelo nome (Is 45,3b) para uma missão única e específica, que só ele poderá realizar.

Falhar nesse chamado significa deixar um “buraco” no muro da cidade, que a deixará sempre exposta ao perigo de novos ataques. Somos responsáveis uns pelos outros, e ninguém jamais poderá substituir ninguém, pois cada um “recebeu um dom específico para o bem comum” (1Cor 12,7).

Estejam vigilantes e rezem, para não caírem em tentação, porque o Espírito é forte, mas a carne é fraca” (Mt 26,41)

Estes dons são para: a santificação pessoal, edificação e a unidade do corpo de Cristo e para a evangelização.

Medite com calma o capítulo 4 da Carta de São Paulo aos Efésios. Veja, é um maravilhoso texto:

Peço que vocês se comportem conforme a dignidade da vocação para a qual foram chamados (…) procurando manter a unidade do Espírito pelo laço da paz (…) há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que por meio de todos e em todos” (Ef 4,1-6).

E ainda:

Cada um de nós recebeu a graça segundo a medida do dom de Cristo, e foi Ele que para alguns concedeu serem apóstolos, outros serem profetas, outros evangelistas, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos nós cheguemos a unidade da fé e conhecimento do Filho de Deus ao estado de homem perfeito, na medida e estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4, 7-13).

Estas palavras dispensam comentários. Mais uma vez preciso afirmar com toda força: só você pode ser você mesmo, ninguém poderá substituí-lo jamais, pela Eternidade! Não pode errar o alvo da sua vida e da sua vocação, pois há uma só flecha que você poderá lançar no arco da sua existência, a sua própria vida, única e sem repetição.

Estejam vigilantes e rezem, para não caírem em tentação, porque o Espírito é forte, mas a carne é fraca” (Mt 26,41)

 

“A Palavra única”

Um dia, duas santas dos nossos tempos, Chiara Lubich e Madre Teresa de Calcutá (que tive a graça de conhecê-las pessoalmente), se encontraram. Madre Teresa falou para Chiara Lubich: “o bem que você pode fazer, eu não posso fazê-lo, e o bem que eu sou chamada a fazer, você também não poderá realizá-lo!”.

Frequentemente digo que estou convencido, que cada um de nós é aquela Palavra única que sai da boca do Pai, e que não voltará a Ele “sem efeito, sem ter realizado o que Eu quero, sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual Eu a mandei” (Is 55,11).

Nosso chamado a vigiar

Jesus nos ensina os meios: vigiar e orar. Não descuidemos das vigílias noturnas, dos jejuns frequentes, da oração incessante, a quem o Senhor nos convida constantemente no Evangelho, sobretudo não deixemos a “Lectio Divina” da Palavra que é “Espírito e Vida”, espada indispensável na batalha espiritual.

Enfim, mantemos viva a nossa vida sacramental, que a Igreja nos oferece, na fidelidade ao mandato de Cristo pelo ministério sacerdotal, em particular a confissão frequente: “Recebei o Espírito Santo, os pecados que vocês perdoarem serão perdoados, os pecados que vocês não perdoarem, não serão perdoados!” (Jo 20,22-23). É a Eucaristia, que nos alimenta, fortalece e santifica: Eu sou o Pão da vida, quem não come deste Pão, não terá a vida eterna! (Jo 6,35).

Precisamos entender, que só poderemos realizar a nossa tarefa no mundo pela graça de Deus. Cada um de nós, conhece a sua própria fraqueza, mas “a nossa confiança está na Sua graça!” (2Cor 3,5-6). Confio na Sua graça, pois, “Aquele que nos chama é fiel e levará a termo a obra começada em nós” (Cf. Fl 1,6).

Caminhemos unidos!

Deus te abençoe!

Pe. João Henrique

 

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