A Páscoa Eterna de Paulo Roberto: O Santo Sem Rosto e Seu Encontro com o Amor

No dia 10 de janeiro de 2002, a Aliança de Misericórdia viu partir para a eternidade um de seus maiores testemunhos de fé: Paulo Roberto, conhecido com carinho como “o santo sem rosto”. Sua partida, envolta em dor e esperança, tornou-se Páscoa, passagem para a vida plena, e permanece como um ícone vivo do carisma da Misericórdia.

A Páscoa eterna de Paulo Roberto não é apenas o fim de um sofrimento físico, mas o culminar de uma vida entregue totalmente a Deus. Mesmo marcado por uma doença rara e cruel que o desfigurou fisicamente, Paulo foi transfigurado espiritualmente: da cruz de sua condição nasceu uma luz que continua iluminando os caminhos de quem deseja encontrar sentido na dor, na fé e no amor que tudo transforma.

Paulo Roberto e a escola do sofrimento redentor

Nascido no interior de São Paulo, Paulo enfrentou o peso do sofrimento desde a infância. Diagnosticado com câncer de pele aos sete anos, sua saúde se deteriorou rapidamente, levando à cegueira, desfiguração e limitações extremas. Contudo, nenhuma dor foi capaz de apagar a luz que habitava seu coração.

A sua Páscoa foi sendo construída dia após dia, à medida que ele oferecia tudo a Deus:

“Remissão dos pecados dos outros, daqueles que ainda não conhecem Deus”, dizia, mostrando que via seu sofrimento como missão, não castigo.

Seu testemunho nos recorda que a dor pode ser redentora quando unida à cruz de Cristo. Paulo se uniu a Jesus crucificado e, como Ele, viveu até o fim com amor, paciência e um sorriso no coração. Sua Páscoa foi um sim contínuo, um sim silencioso e poderoso que ecoa até hoje.

A amizade que apontava para o Céu

A forte ligação de Paulo Roberto com o Pe. João Henrique, cofundador da Aliança de Misericórdia, foi essencial para seu amadurecimento espiritual. Pe. João viu em Paulo não um doente, mas um escolhido, um verdadeiro “irmão vítima de misericórdia”, consagrado misticamente como oferenda de amor.

Aos 19 anos, com o corpo completamente debilitado, Paulo Roberto partiu com uma certeza nos lábios:

“Eu sou a pessoa mais feliz do mundo!”

Essa declaração é um verdadeiro canto pascal, expressão de quem passou pela cruz e já tocava a glória da ressurreição, ainda nesta terra.

Um sinal vivo do carisma da Aliança de Misericórdia

A vocação de Paulo Roberto na Aliança de Misericórdia nos ensina que a santidade é possível mesmo nas circunstâncias mais extremas. Sua vida é testemunho de que Deus não escolhe os mais fortes, mas transfigura os fracos com Seu amor.

Em um mundo que valoriza aparência, performance e sucesso, Paulo é um grito do Céu que diz:

“A verdadeira alegria está em conhecer o amor misericordioso de Jesus.”

“Se eu tivesse nascido sadio, talvez estivesse longe desse amor.” — Paulo Roberto

A memória que se torna chamado

Hoje, ao recordarmos a Páscoa eterna de Paulo Roberto, somos convidados a olhar para nossa própria vida com fé. Ele nos mostra que a dor não é o fim, mas o caminho que pode nos conduzir à glória, se for vivida em união com Cristo.

Paulo Roberto continua vivo na memória da Aliança, nos corações tocados por sua história, e na missão que, como ele, deseja consagrar-se por amor aos mais esquecidos. Que sua vida continue a gerar vocações, curas interiores e confiança no Deus que transforma tudo em salvação.

 

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