Vila Cuore celebra formatura de alunos em cursos de gastronomia
Na Vila Cuore, em Taipas, zona norte de São Paulo, o dia 23 de junho foi marcado por celebração e recomeço.
Ao todo, 37 alunos concluíram os cursos Mesa Cuore e Intensivo de Panificação e Confeitaria, promovidos em parceria com o Instituto Bia Rabinovich. Destes, 31 participaram da cerimônia de formatura. Outros seis não puderam comparecer por motivos de trabalho e de saúde.
A Vila Cuore integra as iniciativas sociais da Aliança de Misericórdia e tem por missão ser uma vila educadora, que assume a transformação por meio da educação das pessoas como um todo.
Mais do que ensinar técnicas culinárias, o projeto promove capacitação profissional, acompanhamento humano e convivência. Assim, ajuda a abrir caminhos reais de trabalho e autonomia.
Entre bancadas, fornos e receitas, o percurso dos alunos também passa por outro tipo de aprendizado: o de si mesmos.
“Eles chegam tímidos e vão ganhando confiança”
Responsável pelos cursos, a chef e coordenadora Mônica Brancher acompanha de perto esse processo de transformação. Ela atua na gastronomia desde 2003. Além disso, trabalha com gastronomia social desde 2017.
“O que a gente percebe é que os alunos, quando chegam, estão sempre acanhados, envergonhados, cabeça cabisbaixos. E conforme o curso vai acontecendo, eles vão se integrando, vão formando amizades e vão criando autoconfiança”, explica.
Segundo Mônica, o diferencial também está na formação humana que acompanha o percurso.
“A gente trabalha algumas virtudes, empatia, e isso vai ajudando. No final, eles formam um grupo em que um ajuda o outro e vão desenvolvendo essa autoconfiança, acreditando que podem mais”.
Para a coordenadora, a gastronomia vai além da técnica.
“A gastronomia é cultura, é socialização, é empoderamento. É afeto, é algo que você prepara e pode partilhar com o outro”.
Ela também destaca histórias que acompanha desde as primeiras turmas.
“São muitas histórias de transformação, de pessoas que começaram a ter seu próprio rendimento, sua liberdade, e passaram a sonhar de novo”.
Empreendedorismo
Entre os formandos está Samantha Torres de Moraes, que concluiu os cursos de panificação e confeitaria.
Para ela, o aprendizado ampliou de forma concreta as possibilidades de trabalho.
“Eu já trabalhava de casa. Depois do curso abriu um leque maior para eu trabalhar mais ainda de casa, para empreender”, afirma.
Samantha também destaca os aprendizados que leva além da técnica.
“Os maiores aprendizados são empatia, ser dedicada, focar na qualidade e no bom gosto, tanto para quem vai consumir quanto para quem vai comprar”.
“Eles saem daqui transformados como pessoas”
Para a voluntária da formação humana, Luiza Brazuna, a mudança dos alunos aparece ao longo do processo.
“A gente sente uma transformação. Eles não aprendem só técnicas gastronômicas, mas passam a se conhecer mais. Às vezes chegam em situação de tristeza, isolamento, e saem daqui alegres, reconhecendo seus valores”.
Luiza reforça que a mudança não acontece apenas no campo profissional.
“É uma transformação do ser humano como um todo.”
Parceria
Representando o Instituto Bia Rabinovich, Elis Magalhães destacou a continuidade da parceria com a Aliança de Misericórdia.
“Dentro da nossa curadoria, a Aliança teve todas as pontuações. E seguimos com o projeto porque vemos o resultado: alunos indo para o mercado de trabalho, sendo contratados, transformando suas vidas”, afirma.
Para Elis, o diferencial está no acompanhamento integral.
“A pessoa chega de um jeito e sai totalmente transformada, não só profissionalmente, mas como pessoa”.
Entre técnicas, encontros e histórias, a gastronomia segue sendo ponto de partida. Nesse caminho, aprender a cozinhar também se torna um jeito de aprender a recomeçar.
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