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Felizes os misericordiosos

“Um pobre (…) jazia junto do seu portão”

“Felizes os misericordiosos”, diz o Senhor, “pois alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). A misericórdia não é a menor das bem-aventuranças: “feliz o que compreende o pobre e o fraco” (Sl 71,13); e também: “o homem bom compadece-se e partilha” (Sl 111,5); e ainda: “sempre o justo se compadece e empresta” (Sl 36,26). tornemos, pois, nossa esta bem-aventurança: saibamos compreender, sejamos bons.

Nem a noite deve deter a tua misericórdia; “não digas: volta amanhã e logo te darei” (Prov 3,28). Que não haja hesitação entre a tua primeira reação e a tua generosidade. (…)

“Partilha o teu pão com aquele que tem fome, recolhe em tua casa o infeliz sem abrigo” (Is 58,7) e fá-lo de boa vontade. “Aquele que exerce a misericórdia”, diz S. Paulo, “que o faça com alegria” (Rom 12,8).

O teu mérito será redobrado pelo teu zelo; uma dádiva feita de má vontade ou por obrigação não tem graça nem fulgor. É com um coração em festa e sem lamentos que devemos fazer o bem.

(…) Então a luz jorrará como a aurora, e as nossas forças não tardarão a restabelecer-se. E haverá quem não deseje a luz e a cura? (…)

Servos de Cristo

Por isso, servos de Cristo, seus irmãos e seus co-herdeiros (Gal 4,7), sempre que tenhamos oportunidade, visitemos Cristo, alimentemos Cristo, agasalhemos Cristo, abriguemos Cristo, honremos Cristo (cf Mt 25,31s).

Não só sentando-O à nossa mesa, como alguns fizeram, ou cobrindo-O de perfumes, como Maria Madalena, ou participando na sua sepultura, como Nicodemos.

(…) Nem com ouro, incenso e mirra, como os magos, (…) pois o Senhor do universo «quer a misericórdia e não o sacrifício» (Mt 9,13), prefere a nossa compaixão a milhares de cordeiros gordos (Miq 6,7).

Apresentemos-Lhe pois a nossa misericórdia pela mão desses infelizes que jazem hoje por terra, para que, no dia em que partirmos daqui, eles nos «conduzam à morada eterna» (Lc 16,9), ao próprio Cristo, nosso Senhor.

São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
14.ª homilia sobre o amor aos pobres, 38.40

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