São Miguel Arcanjo e o santo que teve o crânio marcado pelo Arcanjo
A tradição conta que São Miguel apareceu três vezes a Santo Aubert de Avranches e pediu a construção de um santuário no local onde hoje está o Mont-Saint-Michel, na França
No ano 708, em Avranches, na região da Normandia, França, o bispo Aubert recebeu durante o sono uma visita de São Miguel Arcanjo. O pedido era claro: construir, em honra do Arcanjo, um santuário sobre o Monte-Tombe, um rochedo localizado em uma baía entre a Normandia e a Bretanha. Aubert, porém, não atendeu imediatamente.
Segundo a tradição do Mont-Saint-Michel, São Miguel apareceu novamente ao bispo. O pedido permanecia o mesmo. Ainda assim, Aubert hesitou. Na terceira aparição, o Arcanjo tocou a cabeça do bispo com o dedo. O relato tradicional afirma que o toque perfurou o crânio de Aubert. Ao despertar e perceber o sinal, o bispo compreendeu que deveria cumprir aquilo que lhe havia sido pedido e deu início à construção do primeiro santuário dedicado a São Miguel naquele local.
A própria Abadia do Mont-Saint-Michel conserva essa narrativa em seus materiais sobre a história do lugar. É dessa história que nasce a tradição do Mont-Saint-Michel, um dos principais lugares de peregrinação dedicados a São Miguel Arcanjo no Ocidente.
O pedido de São Miguel
O rochedo onde o santuário seria construído era conhecido como Monte-Tombe. De acordo com a tradição, São Miguel pediu que ali fosse levantado um lugar de culto em sua honra, à semelhança do santuário já existente no Monte Gargano, na região da Puglia, no sul da Itália. A construção do primeiro oratório ocorreu em 708.
No Monte Gargano, o culto ao Arcanjo remonta ao final do século V. A Arquidiocese de Manfredonia, na Itália, registra três aparições de São Miguel nos anos 490, 492 e 493, conforme a tradição preservada no Liber de apparitione sancti Michaelis in Monte Gargano.
O Monte Gargano e a primeira aparição
Segundo o relato tradicional preservado pela Igreja local, a primeira manifestação de São Miguel no Monte Gargano aconteceu depois que um homem chamado Gargano perdeu um de seus touros. O animal foi encontrado dentro de uma gruta. Ao tentar retirá-lo, o homem lançou uma flecha contra o touro. A flecha, porém, voltou e o feriu.
O acontecimento chegou ao conhecimento de São Lourenço Maiorano, bispo de Siponto. O bispo pediu ao povo três dias de jejum e oração para discernir o significado daquele acontecimento.
A tradição então relata novas manifestações de São Miguel e a identificação da gruta como um lugar colocado sob a proteção do Arcanjo. O local se transformou em santuário e, ao longo dos séculos, tornou-se destino de peregrinos.
A Arquidiocese de Manfredonia ainda hoje apresenta o Monte Gargano como um dos lugares ligados à origem do culto a São Miguel no Ocidente. Séculos depois, a tradição do Mont-Saint-Michel retomaria essa história. O pedido feito a Santo Aubert estabelecia uma relação entre o novo santuário francês e aquele que já existia no Monte Gargano.
A marca no crânio de Santo Aubert
A história do toque de São Miguel ganhou uma expressão concreta em uma relíquia atribuída a Santo Aubert. O crânio atribuído ao bispo é conservado na Basílica de Saint-Gervais, em Avranches, e apresenta uma perfuração. A cidade de Avranches informa que, quando os monges beneditinos encontraram as relíquias de Aubert, no início do século XI, perceberam a abertura no crânio e passaram a associá-la à passagem do Arcanjo narrada na tradição do Mont-Saint-Michel.
A tradição conta, assim, que a marca deixada pelo dedo de São Miguel permaneceu na cabeça do bispo. Há, porém, uma informação importante para compreender a história da relíquia. Estudos científicos realizados sobre o crânio identificaram uma perfuração cuja origem também recebeu explicações médicas.
A cidade de Avranches informa que uma análise apontou a possibilidade de um cisto epidermoide. A datação por carbono-14, por sua vez, colocou o osso no período correspondente ao século VIII, mas isso não permite afirmar cientificamente que o crânio seja de Santo Aubert. Para a tradição do santuário, entretanto, a perfuração permanece ligada ao episódio da aparição de São Miguel.
A história de Santo Aubert, o Monte Gargano e o Mont-Saint-Michel fazem parte de uma mesma tradição de fé que atravessou séculos e diferentes lugares da Europa.
De uma gruta no sul da Itália a um rochedo na França, a devoção a São Miguel encontrou diferentes expressões. E, no centro de todas elas, permanece a mesma pergunta que está no nome do Arcanjo:
Quem como Deus?
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A história de São Miguel Arcanjo também inspira a Aliança de Misericórdia neste mês de agosto. De 15 de agosto a 29 de setembro, a Comunidade vive a Quarentena de São Miguel Arcanjo, um período de oração, conversão e combate espiritual, confiando à intercessão do Arcanjo as lutas e necessidades de cada pessoa.
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