Rosário, caminho de santidade

Desde o começo, na vida da Comunidade Aliança de Misericórdia, o Terço foi o caminho para estarmos unidos à nossa Mãe, Maria. Lembro-me que na passagem do ano de 1999 para 2000, éramos alguns jovens que pediam a Deus o dom de entender Sua Vontade para começar ou não este Movimento. Diariamente nos encontrávamos para rezar todos os Mistérios, pedindo à nossa Mãe que nos revelasse os passos que deveríamos dar.

O resultado destas orações foi o Movimento Aliança de Misericórdia, reconhecido pelo então Arcebispo de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, no ano 2005.

Nos estatutos fizemos questão de colocar o Terço como base de encontro com Nossa Senhora, pois esta é uma pedra angular que nunca poderá ser anulada. Então, por que às vezes torna-se difícil rezá-lo?

O problema é que o Terço perdeu sua natureza original de ser uma oração contemplativa, tornando-se uma regra; uma obrigação que cansa; uma repetição de fórmulas mecânicas que se realizam para não se sentir culpado. E nós, nos apegamos muito ao trabalho, a fim de crescer econômica e intelectualmente. Temos em nós uma voz que repete: “Não perca tempo com aquela repetição de palavras”. Na verdade, hoje, todo tipo de oração e de vida contemplativa está em crise. É porque não se reza mais com sentimento.

Aquele que reza bem e com amor não sente nenhuma dificuldade. Precisamos rezar com o coração e com a mente. Se não rezamos deste modo, a oração tornar-se-á uma camisa de força.

Não podemos rezar só para dizer que rezamos o Terço, não devemos rezar por costume ou porque tivemos coragem de rezar cinquenta Ave-Marias.

A oração real e verdadeira, que nasce do coração, não pode ser uma repetição mecânica, deve brotar de um ato de amor e doação. Quando amamos uma pessoa não cansamos “amo você, amo você, amo você”, assim como não deveríamos nos cansar de dizer: Ave-Maria, Ave-Maria”. Para Maria é como escutar novamente a saudação do Arcanjo Gabriel e, consequentemente, brotará em nós, sempre mais, o sentimento de que ela é nossa Mãe.

O Terço torna-se também uma oração que nos coloca em crise porque nos pergunta, de modo implícito, se estamos vivendo segundo o Evangelho. A oração do Rosário é a atualização dos mistérios da vida de Jesus; de Seu nascimento até Sua morte e ressurreição. E ele pergunta-nos, através destas “Ave-Marias”, se estamos vivendo a Sua palavra, pois no Evangelho Ele diz que quem vive a Sua palavra viverá eternamente. Deixar de rezar o Terço, é não querer se lembrar destas palavras de vida.

Devemos ter coragem de dizer a nós mesmos que não estamos vivendo aquilo que o Terço nos proporciona e nos pede para viver. Isto é honestidade. O Terço diz que não temos uma alma contemplativa, que só nos preocupamos com nós mesmos e colocamos Jesus fora de nossa vida cotidiana. Tornar a rezar o Terço nos diz, na realidade, que finalmente nos tornamos humildes, filhos pequeninos e atentos aos desejos da nossa Mãe. Só os puros de coração sabem se expressar com humildade e falar para a mãe, com palavras simples, que a amam. Que belo é ver pessoas estudadas e pessoas sem cultura unindo-se para dizer o quanto amam Maria, rezando um simples Terço!

Quem reza o Terço aprende a contemplar a vida de Jesus, de Maria e a sua própria. Como? Durante a reza das Ave-Marias entramos na vida de Jesus e Maria continuam, ainda hoje, presentes em nossa vida cotidiana.

O Terço, então, torna-se a contemplação de nossa vida, que está escrita nos livros da eternidade, porque nele oferecemos aquilo que estamos vivendo, como simples filhos de Deus.

Lembro-me como meus pais, todos os dias, às seis horas da tarde chamavam seus oito filhos ao redor da imagem de Nossa Senhora e, com simplicidade, nos ensinavam a amar nossa Mãe do Céu.

Por isso, para mim é lindo rezar o Terço! É como voltar a ser voltar a ser pequenino e à família que se reúne para colocar o Senhor Jesus no centro de sua vida.

Alguns pensam que para tornarem-se santos precisam fazer as mais difíceis penitências, mas, para nossa Mãe Maria não é assim. Ela prefere que nos assentemos alguns minutos perto dela para dizer-lhes, expressar-lhe com todo nosso ser: “Ave Maria, mamãe eu te amo! ”

Faça isso e você se tornará santo, acredite!

Pe. Antonello

Trecho retirado livro “O Rosário da Virgem Maria”, da editora Palavra e Prece, Padre João Henrique e Padre Antonello Cadeddu

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