Outubro Rosa
Todos os anos, o mês de outubro nos convida a olhar com mais atenção para uma realidade que toca milhares de mulheres: o câncer de mama. O Outubro Rosa é um tempo de conscientização, prevenção e incentivo ao cuidado com a própria saúde. Mas, para nós, falar sobre cuidado também é falar sobre misericórdia. Cuidar de si, procurar atendimento médico, realizar os exames indicados e estar atenta aos sinais do próprio corpo são atitudes que expressam o valor e a dignidade da vida. E essa mensagem ganha um significado ainda mais profundo quando recordamos uma mulher que faz parte da própria história da Aliança de Misericórdia: Maria Paola do Cordeiro Imolado.
Maria Paola: uma vida entregue até o fim
Maria Paola foi uma das fundadoras da Aliança de Misericórdia. Italiana, apaixonada pela vida, pela natureza e pela arte, deixou sua terra natal e seus projetos pessoais para responder ao chamado de Deus e dedicar-se aos pobres e à missão. Sua história, porém, também foi marcada pela experiência do câncer de mama. Durante cinco anos, Maria Paola enfrentou o tratamento da doença. Em meio à dor, ao medo e às limitações próprias de um período tão difícil, sua relação com Deus foi se tornando cada vez mais profunda. A própria Aliança recorda que, ao longo desse caminho, Maria Paola passou a compreender seu sofrimento à luz de sua união com Cristo, oferecendo suas dores e sua vida por aqueles que amava e pela missão que Deus lhe havia confiado. Ela faleceu em 8 de junho de 2009, aos 41 anos. Mas sua história não pode ser resumida à doença. Antes de ser alguém que enfrentou o câncer, Maria Paola foi uma mulher que amou, serviu, acolheu, evangelizou e cuidou. Sua presença junto aos jovens missionários era marcada por um cuidado materno e por uma sensibilidade especial para perceber aquilo que o outro precisava, muitas vezes antes mesmo que dissesse. Por isso, neste Outubro Rosa, recordar Maria Paola é também recordar que existe uma pessoa inteira por trás de cada diagnóstico. Existe uma história. Existe uma família. Existem sonhos. Existem medos. Existe uma fé. Existe uma vida que merece ser cuidada.
A fé não substitui o cuidado: ela nos ensina a cuidar
A espiritualidade cristã não nos afasta da realidade concreta. Pelo contrário: o amor a Deus nos conduz ao cuidado com a vida que recebemos. Por isso, a conscientização sobre o câncer de mama também pode ser vivida como um gesto de responsabilidade e amor. Não devemos ter medo de procurar ajuda. Não devemos ignorar sinais do nosso corpo. Não devemos adiar cuidados importantes por falta de tempo, vergonha ou receio. A prevenção e o acompanhamento médico são instrumentos concretos para cuidar da vida. E cuidar da vida é uma forma de amar. Maria Paola viveu essa dimensão do cuidado de maneira muito concreta. Mesmo durante sua enfermidade, permaneceu profundamente ligada à missão e às pessoas que Deus havia colocado em seu caminho. A Aliança recorda que ela escolheu realizar seu tratamento nos mesmos hospitais frequentados pelos pobres que tanto amava. Seu testemunho nos recorda que a misericórdia não acontece apenas em grandes gestos. Muitas vezes, ela começa com algo simples: perceber a necessidade do outro e permanecer ao seu lado.
Mulheres que nos ensinam a cuidar da vida
A Igreja também nos apresenta mulheres santas que, de diferentes maneiras, testemunharam o valor da vida, do cuidado e da entrega. Uma delas é Santa Gianna Beretta Molla, médica, esposa e mãe. Antes de ser reconhecida pela Igreja como santa, Gianna exerceu a medicina com especial atenção às mães, crianças, idosos e pessoas pobres. Sua vida revela que a fé pode estar profundamente unida ao cuidado concreto com o ser humano. Também podemos recordar Santa Teresa de Calcutá, cuja vida foi marcada pela proximidade com os mais pobres e enfermos. Seu testemunho nos lembra que nenhuma pessoa deve atravessar o sofrimento sozinha e que cuidar daquele que sofre é uma das expressões mais concretas do amor. E, acima de todas, contemplamos Maria Santíssima, a mulher que permaneceu junto à cruz de seu Filho. Maria não esteve diante da dor como alguém indiferente ou distante. Ela permaneceu. No sofrimento, muitas vezes, não existem respostas fáceis. Existem lágrimas, silêncio, perguntas e a necessidade de alguém que permaneça ao nosso lado. É justamente aí que a misericórdia se torna presença.
Outubro Rosa: um convite à vida
O Outubro Rosa não precisa ser apenas um mês de campanhas e informações. Pode ser um convite para transformar o cuidado em hábito. Um convite para que cada mulher olhe para si com mais carinho. Para que mães, filhas, esposas, amigas e irmãs incentivem umas às outras a cuidar da saúde. Para que ninguém tenha vergonha de procurar ajuda. Para que as mulheres que estão enfrentando o câncer saibam que não estão sozinhas. E para que aquelas que já passaram pelo tratamento encontrem acolhimento, esperança e força para continuar. Na Aliança de Misericórdia, recordar Maria Paola neste mês é também recordar sua vida doada. Ela enfrentou o câncer, mas o câncer não foi a definição de sua história. Sua história foi o amor, a vida doada, o serviço e cuidado com os irmãos, a entrega a Deus e o “sim” dado até o fim. Neste Outubro Rosa, que seu testemunho nos ajude a olhar para a vida com mais gratidão e responsabilidade. Que nenhuma mulher tenha medo de cuidar de si. Que nenhuma pessoa atravesse a doença sozinha. Que saibamos transformar informação em prevenção, prevenção em cuidado e cuidado em misericórdia. E que, pelas mãos de Nossa Senhora, possamos aprender a dizer todos os dias um novo sim à vida. Outubro Rosa é cuidado. Cuidar é amar. E amar é também uma forma de viver a Misericórdia.
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