Emaús segundo são Gregório Magno

Fonte de Evangelho Quotidiano.org

Estamos no tempo Pascal e a liturgia da Igreja nos presenteia com os diversos acontecimentos do dia da ressurreição de Jesus. Talvez um dos mais fortes seja o episódio dos discípulos a caminho de Emaús (Lucas, 24, 13-35).

Estes depois de anunciarem tristemente a Jesus sua própria morte, acolhem-no no caminho, ouvem sua explicação a respeito das escrituras, mas não o reconhecem. Somente ao partir o pão “seus olhos se abrem”.

Vejamos o que diz são Gregório Magno (540-604), bispo e doutor da Igreja, em sua homilia de número 23 a respeito da aparição de Emaús:

Não ver o Senhor

Acabais de o ouvir, irmãos caríssimos: dois discípulos de Jesus caminhavam na estrada e, embora não acreditando nele, sobre Ele falavam.

O Senhor apareceu-lhes, sem contudo Se lhes mostrar sob uma forma por que O pudessem reconhecer. O Senhor realizou portanto no exterior, aos olhos do corpo, o que neles se cumpria no interior, aos olhos do coração.

No seu próprio interior, os discípulos amavam e duvidavam em simultâneo; no exterior, o Senhor estava presente sem no entanto manifestar Quem era.

Àqueles que dele falavam, oferecia a sua presença; mas aos que duvidavam dele, escondia o seu aspeto habitual, que lhes teria permitido reconhecê-Lo. 

Trocou algumas palavras com eles, reprovou-lhes a lentidão em compreender, explicou-lhes os mistérios da Sagrada Escritura que Lhe diziam respeito. E, no entanto, no coração deles continuava a ser um estranho, por falta de fé; fez então menção de seguir para diante (…).

A Verdade, que é simples, nada fez com duplicidade, mas manifestou-Se simplesmente aos discípulos no seu corpo tal como estava no espírito deles.

Com esta prova, o Senhor queria ver se os que ainda não O amavam como Deus eram ao menos capazes de O amar como viajante.

Ora, a Verdade caminhava com eles; não podiam pois continuar estranhos ao amor: ofereceram-Lhe hospitalidade, propondo-Lhe que pernoitasse com eles, como se costuma fazer aos viajantes.

Mas porque dizemos que Lho propuseram, quando está escrito: «Insistiram com Ele»? Este exemplo mostra-nos bem que não devemos apenas oferecer hospitalidade aos viajantes, mas fazê-lo com insistência.

Os discípulos puseram a mesa, ofereceram da sua ceia; e, não tendo reconhecido a Deus quando da sua explicação da Sagrada Escritura, eis que O reconhecem agora, na fração do pão.

Não foi pois ao escutar os mandamentos de Deus que ficaram iluminados, mas ao pô-los em prática.

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