O Advento e a segunda vinda de Cristo: Estamos preparados?

Quando pensamos no Advento, geralmente o associamos à preparação para o Natal, o nascimento de Jesus em Belém. No entanto, a Igreja nos ensina que o Advento possui duas dimensões complementares: uma histórica e outra escatológica. Não esperamos apenas pela celebração do passado, mas também pela segunda vinda de Cristo, quando Ele voltará em glória para instaurar definitivamente o Seu Reino.

Essa verdade nos convida a uma pergunta essencial para este tempo litúrgico: estamos preparados para a vinda do Senhor?

O Advento não é só preparação para o Natal

Na liturgia das primeiras semanas do Advento, o foco está mais voltado para o fim dos tempos, tema central da escatologia cristã. As leituras bíblicas falam do “Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu” (cf. Mt 24,30), do juízo final e da necessidade de vigilância espiritual.

A Igreja, como Mãe e Mestra, nos forma para não perdermos de vista que a história caminha para um cumprimento definitivo: a plena manifestação do Reino de Deus. Assim, celebrar o Advento é também manter viva a esperança de que Cristo voltará, como Ele mesmo prometeu: “Virei outra vez e vos levarei comigo” (Jo 14,3).

O chamado à vigilância e à oração

Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor” (Mt 24,42). Este é um dos apelos mais fortes que ouvimos durante o Advento. A vigilância espiritual é uma atitude de quem vive atento aos sinais de Deus, com o coração livre, desperto e em constante oração.

A vigilância cristã não é medo do futuro, mas amor atento no presente. É permanecer com a lâmpada acesa, como as virgens prudentes da parábola (cf. Mt 25,1-13), esperando o Esposo com fidelidade, mesmo quando Ele parece demorar.

A oração diária, a vivência dos sacramentos e o exercício da caridade são meios concretos de mantermos o coração desperto, sem nos deixarmos adormecer pelo ritmo acelerado e superficial do mundo.

Como viver preparados para a vinda do Senhor

Estar preparado para a segunda vinda de Cristo não significa fugir do mundo ou viver em temor constante. Ao contrário, é viver cada dia como uma oferta de amor, cumprindo nossa missão com fidelidade e esperança.

A espiritualidade da Aliança de Misericórdia nos ensina a esperar o Senhor entre os pobres, os excluídos, os que sofrem, pois é nesses rostos que Cristo já se manifesta hoje. Preparar o caminho do Senhor é também levar Sua presença misericordiosa aos que mais precisam, tornando visível Seu Reino de amor e justiça.

Algumas atitudes concretas para viver bem esse tempo:

  • Intensificar a vida de oração e silêncio interior;
  • Buscar a confissão, reconciliando-se com Deus e com os irmãos;
  • Praticar obras de misericórdia, especialmente com os mais necessitados;
  • Participar ativamente da liturgia do Advento, especialmente nos domingos;
  • Cultivar a esperança no coração, mesmo em meio às tribulações.

O Advento é um tempo de graça e de renovação. É o momento de erguer os olhos para o alto e proclamar com fé: “Maranathá! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20). Que possamos viver este tempo santo como verdadeiros sentinelas da manhã, preparando não apenas a festa do Natal, mas, acima de tudo, os nossos corações para o encontro definitivo com o Cristo que vem.

 

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