Encontro reúne colaboradores da Aliança de Misericórdia
Colaboradores da Aliança de Misericórdia participaram, no dia 5 de março, de um encontro de convivência e formação no Centro de Evangelização, no Sítio Botuquara (SP), onde está localizada a casa mãe da Comunidade.
O encontro reuniu colaboradores de diferentes áreas da missão para um tempo de partilha, espiritualidade e integração, fortalecendo o vínculo entre aqueles que, diariamente, contribuem para que o carisma da misericórdia alcance tantas pessoas.
A manhã começou com a Santa Missa presidida pelo padre Evandro Torlai, presidente da Aliança de Misericórdia, e concelebrada pelo padre Pedro Morais, vice-presidente do movimento.
“Sejamos um, para que o mundo creia”
Na homilia, padre Pedro recordou o tema que acompanha a caminhada da Comunidade em 2026: “Sejamos um, para que o mundo creia!”, inspirado na oração de Jesus no Evangelho de São João (Jo 17,11).
Segundo ele, viver a unidade não é apenas uma organização entre pessoas ou projetos, mas um caminho que nasce da própria experiência de Deus. “O cristianismo não é apenas um grupo de pessoas que se reúne para rezar. O cristianismo é a religião do amor. Jesus disse: ‘Nisto reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’”, afirmou.
Para o sacerdote, a unidade é também um testemunho concreto diante do mundo.
“O mundo já não quer ouvir apenas discursos ou boas palavras. O mundo quer ver a verdade na vida daqueles que dizem acreditar em Cristo”, disse.
Padre Pedro destacou ainda que a comunhão cristã tem sua origem na própria vida da Trindade. “A comunhão nasce do amor do Pai e do Filho no Espírito Santo. É um amor que se doa, que sai de si para ir ao encontro do outro”, explicou.
O caminho do “AEIOU da Comunhão”
Após a celebração, o encontro continuou com momentos de partilha conduzidos pelo padre Evandro Torlai e pela vice-presidente da Comunidade, Tathiany Nogueira.
A partir do tema da unidade, eles apresentaram aos colaboradores um caminho concreto para viver a comunhão no cotidiano da missão, conhecido dentro da comunidade como o “AEIOU da comunhão”: comunhão afetiva, espiritual, intelectual, objetiva e unitiva.
Segundo Tathiany, esse caminho ajuda a transformar o ambiente de trabalho e as relações cotidianas em lugares onde o amor de Deus se torna visível. “Queremos que, onde estivermos, exista o perfume de Cristo. Muitas vezes não é preciso palavras, mas gestos que revelam algo diferente”, explicou.
A primeira dimensão é a comunhão afetiva, que pode ser resumida em um gesto simples: querer o bem do outro. “Às vezes são coisas pequenas: um bom dia, um agradecimento, lembrar do aniversário de alguém, perguntar como a pessoa está”, explicou Tathiany. “São gestos que mostram que o outro é importante.”
Segundo ela, essa dimensão cria um ambiente de família e pertencimento. “O fruto dessa unidade afetiva é a cura interior, o senso de família e a alegria de estar juntos.”
A segunda dimensão é a comunhão espiritual, que nasce quando os membros de uma equipe aprendem a carregar uns aos outros diante de Deus. Isso acontece, por exemplo, quando alguém reza por um colega que está passando por uma dificuldade ou quando partilha experiências bonitas que viveu com Deus. “Quando alguém diz: ‘Estou rezando por você’, isso traz alívio. A pessoa percebe que não está sozinha”, disse Tathiany.
A comunhão espiritual também se manifesta nos momentos simples de oração vividos no dia a dia da missão, recordando que o trabalho na Aliança não é apenas uma atividade profissional, mas uma participação em uma obra que nasce da fé.
Comunhão Intelectual, Objetiva e Unitiva
A terceira dimensão é a comunhão intelectual, que diz respeito à escuta, ao diálogo e à capacidade de construir juntos. Durante a formação, os responsáveis recordaram que muitas divisões nascem justamente da dificuldade de escutar o outro ou de expressar aquilo que se pensa.
“Às vezes alguém tem uma boa ideia, mas não fala por medo de ser ridicularizado. Outras vezes não escutamos o outro com atenção. A comunhão intelectual nasce quando aprendemos a escutar e a dialogar com respeito”, foi partilhado durante o encontro.
Esse caminho favorece ambientes de trabalho mais saudáveis e evita conflitos que surgem da falta de comunicação.
A quarta dimensão é a comunhão objetiva, que se expressa nas decisões concretas e no compromisso com aquilo que foi assumido em equipe. Isso significa, por exemplo, participar das reuniões, alinhar tarefas, dar retorno sobre o que foi realizado e caminhar juntos nas decisões tomadas.
“Às vezes uma decisão não é exatamente aquilo que eu pensaria, mas se a equipe decidiu, aquela decisão passa a ser também minha”, destacaram Pe. Evandro e Tathiany. Essa atitude fortalece o espírito de corresponsabilidade e ajuda a manter a unidade no trabalho.
Por fim, o caminho conduz à comunhão unitiva, que é a expressão mais profunda da unidade e encontra sua inspiração na própria vida da Trindade. Ela acontece quando, a partir dos gestos concretos de afeto, oração, escuta e compromisso, os relacionamentos começam a refletir algo da própria comunhão entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
“Quando vivemos esse caminho, começamos a experimentar entre nós algo da presença de Deus”, afirmou padre Evandro. Segundo ele, quando a unidade é vivida no cotidiano, o ambiente muda e as pessoas percebem. “Às vezes alguém chega e diz: ‘Não sei explicar, mas aqui tem algo diferente’. Esse ‘algo diferente’ é a presença de Deus.”
Construir pontes
Durante a formação, os participantes também foram convidados a recordar a Carta-Testamento dos fundadores da Aliança de Misericórdia — padre Antonello Cadeddu, padre João Henrique e Maria Paola — na qual a unidade aparece como um valor inegociável do Carisma.
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