BEATIFICAÇÃO DE FULTON SHEEN: O EVANGELIZADOR QUE LEVOU O EVANGELHO A MILHÕES DE PESSOAS

Nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, a Igreja Católica celebrou a beatificação de Fulton J. Sheen, arcebispo norte-americano que marcou a história da evangelização por meio da pregação, da escrita e, de maneira especialmente significativa, do rádio e da televisão.

A celebração aconteceu em St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos, e foi presidida pelo Cardeal Luis Antonio Tagle, Prefeito-Adjunto do Dicastério para a Evangelização, como representante do Papa Leão XIV. Com a beatificação, Fulton Sheen passa a ser oficialmente chamado Beato Fulton J. Sheen.

Sua história ganha especial relevância para a Igreja de hoje porque Sheen compreendeu, ainda no século XX, que os meios de comunicação poderiam ser instrumentos poderosos para anunciar o Evangelho.

QUEM FOI FULTON SHEEN?

Fulton John Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, em El Paso, Illinois, nos Estados Unidos. Foi sacerdote, professor, escritor, bispo, arcebispo e um dos mais conhecidos comunicadores católicos de seu tempo.

Ordenado sacerdote em 1919, dedicou grande parte de sua vida ao ensino, à pregação e à evangelização.

Mas sua missão ultrapassou os limites das igrejas, universidades e livros.

Sheen entrou nas casas de milhões de pessoas por meio do rádio e da televisão, tornando-se uma presença conhecida para diferentes públicos, inclusive pessoas que não eram católicas.

“THE CATHOLIC HOUR”: O RÁDIO COMO INSTRUMENTO DE EVANGELIZAÇÃO

Em 1930, Fulton Sheen começou a participar do programa radiofônico The Catholic Hour — A Hora Católica, transmitido aos domingos.

No auge de sua popularidade, o programa chegou a alcançar aproximadamente quatro milhões de ouvintes.

Para Sheen, o rádio representava uma oportunidade de levar a mensagem cristã até pessoas que talvez nunca entrassem em uma igreja.

Era uma nova maneira de evangelizar.

E essa experiência prepararia o caminho para uma etapa ainda maior de seu apostolado: a televisão.

“LIFE IS WORTH LIVING”: O PROGRAMA DE TV QUE ALCANÇOU MAIS DE 30 MILHÕES

Em 1951, Fulton Sheen começou a apresentar o programa televisivo Life Is Worth Living, traduzido em português como A Vida Vale a Pena Ser Vivida.

O programa se tornou um fenômeno de audiência.

Segundo o Vatican News, a atração chegou a alcançar mais de 30 milhões de pessoas, enquanto outras fontes do Vaticano registram cerca de 30 milhões de espectadores.

O mais impressionante é que Sheen fazia isso utilizando uma estrutura extremamente simples.

Diante das câmeras, frequentemente com uma lousa, ele falava sobre temas como:

  • fé;
  • moral;
  • sofrimento;
  • família;
  • dignidade humana;
  • amor;
  • liberdade;
  • sentido da vida;
  • relação do homem com Deus.

Sua comunicação combinava filosofia, teologia, histórias, humor e exemplos do cotidiano, permitindo que questões profundas fossem apresentadas de maneira compreensível ao grande público.

O programa alcançava não apenas católicos, mas também protestantes, judeus e pessoas sem uma ligação direta com a Igreja.

UM BISPO DIANTE DAS CÂMERAS

Fulton Sheen também demonstrava que a evangelização poderia ocupar espaços considerados improváveis.

Um bispo vestido com suas vestes episcopais, diante de uma lousa, falando sobre Deus, sofrimento, amor, pecado e eternidade, tornou-se uma presença familiar na televisão norte-americana.

Em 1953, Sheen recebeu um Emmy, reconhecimento relacionado ao seu trabalho televisivo.

O programa Life Is Worth Living foi exibido de 1952 a 1957, consolidando Sheen como uma das figuras religiosas mais conhecidas da televisão norte-americana daquele período.

Posteriormente, entre 1961 e 1967, ele também apresentou The Fulton Sheen Show, dando continuidade ao seu apostolado através da televisão.

“FUI CHAMADO A CONTAR ESTA HISTÓRIA”

A celebração da beatificação recuperam uma dimensão muito importante do pensamento de Fulton Sheen.

Uma das frases atribuídas ao novo Beato resume sua compreensão sobre a missão evangelizadora:

“Fui chamado a contar esta história: o Evangelho.” A ideia aparece acompanhada de outra afirmação sobre nunca se cansar de contar essa história e de buscar maneiras melhores de comunicá-la. Esse pensamento ajuda a compreender o que havia por trás de seu trabalho no rádio e na televisão.

Sheen não utilizava os meios de comunicação simplesmente para falar sobre religião. Ele queria anunciar Jesus Cristo. A tecnologia era o meio. O Evangelho era a mensagem.

“UM PORTEIRO” QUE APONTA PARA DEUS

Outro elemento destacado na celebração é a comparação de Fulton Sheen com um porteiro.

A imagem expressa uma compreensão muito profunda da evangelização: o evangelizador não é o destino final da caminhada.

Ele abre a porta. Ele aponta o caminho. Ele conduz as pessoas até Cristo.

Essa perspectiva combina com o testemunho de Sheen, que colocava sua comunicação a serviço do anúncio do Evangelho.

O próprio legado apresentado pelo Vaticano destaca sua capacidade de utilizar os meios de comunicação sem perder de vista o propósito principal: levar as pessoas ao encontro com Deus.

“CONTADOR DA HISTÓRIA DE JESUS”

Durante a celebração de sua beatificação, o Cardeal Luis Antonio Tagle também retomou essa dimensão da missão de Fulton Sheen.

Nas imagens compartilhadas durante a celebração, aparece uma reflexão que apresenta o novo Beato como um “contador da história de Jesus”, relacionando essa missão à Palavra de Deus, à Eucaristia, à Hora Santa, ao Corpo de Cristo e à Igreja.

A mensagem está em sintonia com o que o próprio Cardeal Tagle vinha destacando nos dias anteriores à beatificação: o reconhecimento de Fulton Sheen deve ser compreendido também como um chamado à conversão, ao discipulado e ao anúncio do Evangelho.

Assim, sua beatificação não recorda apenas aquilo que Sheen realizou no passado.

Ela também lança uma pergunta para a Igreja do presente:

Como anunciar Jesus Cristo no mundo em que vivemos?

DA TELEVISÃO ÀS REDES SOCIAIS

Fulton Sheen evangelizou utilizando as tecnologias disponíveis em seu tempo. Primeiro, o rádio. Depois, a televisão.

Hoje, o mundo possui ferramentas que Sheen provavelmente utilizaria com a mesma finalidade: redes sociais, YouTube, podcasts, sites, vídeos e plataformas digitais.

O Papa Leão XIV destacou justamente essa dimensão do legado de Sheen ao afirmar que seu exemplo e sua intercessão podem inspirar outras pessoas a encontrar novos caminhos para difundir a mensagem do Evangelho.

A tecnologia mudou.  Os meios mudaram. Mas a missão continua. O desafio da evangelização permanece sendo o de encontrar maneiras de chegar ao coração das pessoas e apresentar a elas a beleza do encontro com Cristo.

UM LEGADO QUE CONTINUA

Décadas depois de sua morte, Fulton Sheen continua sendo descoberto por novas gerações.

Seus antigos programas circulam novamente na internet, suas homilias são compartilhadas nas redes sociais e seus escritos continuam sendo publicados e estudados.

Isso cria uma curiosa continuidade em sua história.

O homem que utilizou o rádio e a televisão para evangelizar durante o século XX agora também alcança pessoas por meio das ferramentas digitais do século XXI.

Como destacou o Vatican News, sua mensagem continua chegando a novas gerações justamente porque, embora a tecnologia tenha mudado, as grandes questões humanas permanecem: felicidade, solidão, amor, sofrimento, identidade e Deus.

UMA VIDA COLOCADA A SERVIÇO DO EVANGELHO

Fulton Sheen morreu em 9 de dezembro de 1979, em Nova York, aos 84 anos.

Sua causa de canonização foi aberta em 2002, na Diocese de Peoria. Em 2012, o Papa Bento XVI reconheceu suas virtudes heroicas, declarando-o Venerável.

Em 2019, o Papa Francisco autorizou o decreto que reconheceu um milagre atribuído à sua intercessão, abrindo o caminho para a beatificação.

Agora, em 24 de setembro de 2026, a Igreja reconhece oficialmente Fulton J. Sheen como Beato.

UM CONVITE PARA A EVANGELIZAÇÃO

A história de Fulton Sheen deixa uma mensagem especialmente importante para aqueles que trabalham com comunicação e evangelização.

Ele não esperou que as pessoas chegassem até ele.

Foi até elas.

Entrou em suas casas pelo rádio.

Depois, pela televisão.

E fez isso sem perder de vista aquilo que considerava essencial: anunciar Jesus Cristo.

Hoje, somos nós que temos novas ferramentas nas mãos.

Temos câmeras nos celulares, redes sociais, sites, podcasts, vídeos e inúmeras possibilidades de comunicação.

A pergunta que permanece é:

Estamos utilizando esses meios apenas para produzir conteúdo ou também para abrir portas para que as pessoas encontrem Cristo?

Fulton Sheen compreendeu que o comunicador cristão não precisa ser o centro da mensagem.

Ele pode ser apenas o porteiro. Aquele que abre a porta. Aquele que aponta o caminho. Aquele que conta a história. E, acima de tudo, aquele que ajuda outras pessoas a encontrar Jesus.

Beato Fulton Sheen, rogai por nós!

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