PDM de Maio – A unidade
A UNIDADE: CRER EM JESUS E GERAR TESTEMUNHO DA UNIDADE PARA O MUNDO
“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que hão de crer em mim por meio da palavra deles, para que todos sejam um” (Jo 17,20-21a).
A Raiz da Unidade
A súplica de Jesus para que “todos sejam um” tem sua raiz mais profunda em nossa união vital com Ele, como ramos enxertados na videira. É a adesão pessoal a Cristo pela fé que estabelece um vínculo espiritual que transcende todas as barreiras humanas culturais, sociais, históricas e até mesmo religiosas. Como já meditado no ano de 2023, crer em Jesus não é apenas aceitar um conjunto de doutrinas, mas entrar em uma relação viva e pessoal com Ele, o Verbo encarnado do Pai. Essa fé em Jesus Cristo, como Senhor e Salvador, torna-nos membros de Seu Corpo Místico, a Igreja.
O Convite de Maio
Após explorarmos a unidade trinitária, o desafio de viver no mundo sem ser do mundo e a profundidade da consagração de Cristo que nos santifica, o mês de maio nos convida a expandir nosso olhar. Jesus, em Sua Oração Sacerdotal, dirige-se ao Pai não apenas pelos Seus discípulos presentes, mas por todos aqueles que, ao longo da história, viriam a crer Nele por meio da Palavra. Esta é a oração que nos alcança hoje, e que revela o propósito missionário fundamental da unidade: ser um testemunho vibrante para que o mundo creia.
Nossa fé em Jesus Cristo é o fundamento dessa unidade, e essa unidade, vivida autenticamente, torna-se a “ponte de misericórdia” que convida o mundo ao encontro com o Salvador (CAM, 12). Embora as expressões dessa fé possam variar e as divisões históricas sejam uma chaga, a essência da unidade cristã reside na confissão de Jesus Cristo como único Mediador entre Deus e os homens. Batizados no mesmo Espírito, alimentados pela mesma Eucaristia (mesmo que com diferentes compreensões), aqueles que creem são intrinsecamente unidos a Cristo e, por conseguinte, uns aos outros (CAM, 79).
A Escola da Palavra
Jesus ora para que aqueles que hão de crer Nele o façam “por meio da palavra deles” (Jo 17,20). Isso sublinha o papel insubstituível do anúncio, da meditação e da vivência da Palavra de Deus como instrumento privilegiado para a geração da fé e, consequentemente, da unidade. A Palavra de Deus não é meramente um texto, mas a própria voz de Deus que se revela e age na história.
“A fé vem da pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10,17). É a Palavra anunciada que chama à conversão, a Palavra meditada que nutre a vida interior e a Palavra vivida que transforma o crente e a comunidade. Na Escola da Palavra somos exercitados a gerar unidade e nos tornarmos agentes de comunhão no mundo. Ela é um caminho de discipulado que molda a mente e o coração daqueles que creem segundo o pensamento de Cristo (EAM, art. 4, §2).
A fé em Jesus é o verdadeiro alicerce que nos “irmana”, um laço de filiação divina que nos torna irmãos e irmãs em Cristo, convocados à unidade visível. O Concílio Vaticano II ensina que a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor (DV, 21). Quando o Movimento prioriza a escuta, a meditação e a prática da Palavra, ele se une em torno da própria voz de Deus (CT, 7).
Uma Fonte de Esperança
Saber que Jesus orou especificamente por mim e por minha comunidade é profundamente consolador. Esta oração atravessa os séculos e é o motor invisível que sustenta a Igreja através dos tempos, apesar das perseguições e das fraquezas humanas. A unidade não é um projeto nosso, mas o desdobramento da vontade divina, já intercedida por Cristo. Diante de qualquer desânimo, podemos nos apegar à certeza de que a oração de Jesus por nossa unidade e fé é constante e eficaz.
O Propósito: Para que o Mundo Creia
A unidade não é um luxo, nem mesmo um jargão comunitário na Aliança de Misericórdia, mas uma necessidade evangélica, um poderoso sinal que atrai o mundo a crer na missão de Jesus. Como testificava Tertuliano nos primórdios: “Vede como eles se amam uns aos outros” (Apologeticum, 39).
No contexto atual de polarização e fragmentação social, o testemunho de uma comunidade que vive a unidade em Cristo torna-se ainda mais urgente e profético. Esta unidade não é uniformidade, mas a harmonia de diferentes carismas e personalidades unidos no mesmo Espírito e no mesmo propósito. Ela se torna um farol de esperança e um convite irresistível para que o mundo se abra à fé (EAM, art. 5, parágrafo único).
PROPÓSITOS CONCRETOS
PESSOAL: Viver como testemunha da unidade
- a) Dedicar-se à Lectio Divina diária, com foco especial nas palavras de Jesus, buscando um encontro pessoal e renovado com Ele (CAM, 33). A partir de Jo 17,20, meditar sobre a certeza de que a própria fé é fruto da oração de Jesus.
- b) Além da leitura, aplicar conscientemente os ensinamentos da Palavra de Deus nas decisões e interações do dia a dia. Praticar a escuta atenta, a linguagem que edifica, o perdão e o amor ao próximo.
- c) Viver o exercício da caridade e do diálogo respeitoso, buscando ativamente a unidade em todas as relações pessoais (familiares, profissionais, sociais). Evitar fofocas, juízos precipitados e atitudes que geram divisão.
- d) Incluir regularmente na oração pessoal a intenção pela unidade de todos os cristãos e pela paz e concórdia no mundo.
COMUNITÁRIO: Ser um sinal vivo de unidade para o mundo
- a) Intensificar momentos que não apenas ensinem a Palavra, mas promovam a partilha e as experiências vividas (Lectio Divina em grupos e testemunhos – CAM, 90).
- b) Iniciativas de encontros e diálogos com outros movimentos, pastorais e irmãos de comunidade, buscando pontos de unidade e colaboração em projetos sociais ou de evangelização.
- c) Com foco em Jo 17,21b, refletir o ser “ponte de Misericórdia”, para que a unidade do Movimento seja o argumento mais persuasivo para que “o mundo creia”.
- d) Encorajar os membros a partilhar seus testemunhos de fé e de como a unidade em Cristo transformou suas vidas.
SEJAMOS UM para que o mundo creia!
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