O Céu existe

“Os que morrerem na graça e na amizade de Deus e estiverem perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo. Serão para sempre semelhantes a Deus, porque O verão “tal como Ele é” (1Jo 3, 2), “face a face”. (1Cor 13, 12)[1]

Toda vez que acontece uma grande tragédia, onde centenas de vidas se perdem, a opinião pública explora o choque e a inconformidade com a realidade da morte. Os incêndios em Portugal e Londres, os atentados no Oriente Médio, acidentes e tantos outros, ceifam vidas quase que de forma aleatória.

A possibilidade de morrer um dia, sequestra a paz das pessoas, mas para os cristãos autênticos traz de volta uma reflexão que nunca deveria sair das mentes: a vida eterna, a realidade do Céu!

Chamou atenção, no episódio do incêndio em Londres, o caso da jovem italiana (Glória) que ligou para sua mãe para dizer as seguintes 93ed5ade6b52468f2fad4ec0d76f7805palavras: “Sinto muito nunca mais poder te abraçar”, teria dito Gloria, ao seu pai Loris. “Eu tinha minha vida inteira pela frente. Não é justo. Eu não quero morrer”. Em outro momento: “Mamãe, estou morrendo.

Obrigado por tudo o que você fez por mim”. Eu queria te ajudar, te agradecer por tudo que fez por mim. Depois, o adeus: “Estou indo para o Céu. Eu te ajudarei de lá”.

“Na glória do céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus, em relação aos outros homens e a toda a criação. Eles já reinam com Cristo. Com Ele “reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap22, 5)[2]

Esta firmeza diante da morte eminente e extremamente dolorosa, deixou o mundo estarrecido. Ela mostrou o medo, a inconformidade, mas depois uma certeza a dominou. Ela mostrou, com isso, que o nosso fim último é o Céu, ao lado de Deus.

Sim o Céu existe, foi Jesus quem nos confirmou e esta é a nossa esperança. A doutrina da Igreja Católica, através do Magistério e da Tradição, tenta dar uma ideia disto que “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, o que Deus preparou para os seus” (ICor 2, 9).

Como é o Céu?

É estar na presença de Deus, nosso fim último, contemplar a Sua face que tanto desejamos nesta terra.

Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo ultrapassa toda a compreensão e toda a representação.

A Sagrada Escritura fala-nos dele por imagens: vida, luz, paz, banquete de núpcias, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, paraíso: aquilo que “nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem, Deus o preparou para aqueles que O amam” (1 Cor2, 9).”[3]

Nossa vida aqui é uma passagem, estamos a caminho da nossa morada definitiva. Esta certeza deveria manter os olhos dos cristãos fixos na meta, estimular cada ação do cotidiano para levar até o fim propósitos e escolhas de amor.

Diante do desanimo, lembrar que temos um Pai amoroso que nos espera e nos dá força para prosseguir neste mundo, buscando e fazendo o bem, a exemplo de Jesus. Esta é a missão do cristão.

[1] Catecismo da Igreja Católica, 615 e 1023

[2] CIC 1029 e 621

[3] CIC 1023

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